segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Comunicação Integrada, como entregar?

No mundo atual, o acesso e a velocidade da informação via internet, mídias sociais, blogs etc causaram uma verdadeira falta de atenção. Somos bombardeados com tantos inputs simultâneos que, na maioria das vezes, ao invés de lermos ou assistirmos a notícias, vídeos, comentários, editoriais, apenas passamos os olhos, “scaneamos” montanhas de informações, sem nos fixarmos às mensagens.

Em resumo: vivemos uma rotina de muita dispersão e pouca retenção.

Atenção real virou valor. Captar o consumidor, o leitor, o jornalista, cada stakeholder, é tarefa das mais difíceis. Isso só acontece se a comunicação se destacar, oferecendo realmente algo de novo, de inédito, com qualidade e em tempo integral. Porque a diferenciação entre concorrentes já não se dá mais por preço ou produto ou serviço na maioria das vezes, mas pela capacidade de entender as expectativas e demandas de seus públicos-alvo e interagir com eles, trocando informações e, com base nisso, desenvolvendo inovações que geram relevância.

Neste novo cenário, não há mais lealdade. Centenas de novos mercados convivem e todos os públicos recebem e produzem informação. É uma mudança de atitude e de valores, onde quem domina a mensagem não é mais quem a produz, mas quem a consome, como receptor e emissor ao mesmo tempo.

Para ocupar espaço, respeito e admiração nas mentes e corações dos stakeholders neste panorama, as corporações precisam se comunicar de forma cada vez mais transparente, criativa e integrada. Usando em conjunto ferramentas, mídias e ações que os envolvam e construam credibilidade e reputação, engajamento e liderança qualificada, além de promover resultados positivos e o sucesso dos negócios.

Muitas empresas do mercado prometem entregar essa comunicação integrada a seus clientes. Mas poucas são bem sucedidas, porque o desafio é imenso.

Trabalhar com profissionais antenados, que combinem diferentes competências, habilidades e pontos de vista, que pensem fora da caixa, que consigam inovar através de canais não tradicionais que se complementam como numa cadeia, conversando entre si, é o caminho óbvio. Assessoria de imprensa, marketing experiencial (eventos, ações de relacionamento), comunicação interna, monitoramento e intervenção nas mídias sociais, ações com blogueiros, tudo isso e muito mais pode ser mixado para agregar valor à imagem do cliente, seu produto, seu serviço.

Mas é preciso ir além. É essencial estabelecer, junto com esse cliente, qual é a promessa, a essência dessa marca/produto/serviço, aquilo pelo qual a empresa quer realmente ser lembrada e pelo qual ela estabelece uma conexão tão forte com seu target que cria um vínculo com ele que o faz voltar. É esta promessa que deve permear fortemente toda e qualquer comunicação integrada, ajudando a conquistar credibilidade e lembrança, por todas as vias possíveis.

Um bom exemplo dessa promessa de marca é o da rede de cafeterias americana Starbucks cujo “mantra” é “We’re not in the coffee business; we are in the people business serving coffee “. Para a Starbucks, as pessoas - sempre elas em primeiro lugar - são o foco do negócio, e sua missão é atendê-las com a máxima excelência, gerando satisfação e awareness. Ah, sim, servindo-lhes café.

Entregar comunicação integrada não é fácil. E o primeiro passo para chegar lá depende também de pessoas: com um planejamento conjunto entre cliente e agência, os resultados certamente virão. Com cafezinho ou não.



Escrito por Rosana Monteiro e Vania Ciorlia, diretora executiva da Ketchum Estratégia, responsável pela área de Comunicação Integrada.

Texto publicado no portal Aberje em 04/10/2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O ABC da comunicação corporativa (parte 2)

Para tentar dar alguma luz a quem atua em comunicação corporativa, continuo aqui o meu pequeno dicionário. Agora de L a R.

L
Literatura - Além dos livros técnicos e dos milhares de jornais, revistas e sites que somos obrigados a ler diariamente, instrumentos fundamentais para o desenvolvimento do trabalho, nada melhor do que novos e antigos autores para enriquecer vocabulário, aprimorar escrita, abrir horizontes e relaxar um pouco. Acredito que somente livros absolutamente imprescindíveis devam permanecer na estante. Faça a roda girar, "esqueça" um livro por aí de vez em quando para alguém pegar. Doe e leia livros, faz bem à alma e à cultura geral.

M
Mailing - Mandar tudo para todos não faz sentido. O segredo é depurar o mailing e fazer uma comunicação dirigida. Enviar informações de gastronomia para quem cobre a área de Negócios, por exemplo, é o maior tiro no pé. Irrita o jornalista, que fica com caixa de e-mails lotada de assuntos sem interesse. "Perder" tempo para criar uma boa lista de contatos significa "ganhar" resultados no futuro. Cuide de seu mailing com muito carinho.

N
Normas - Seguir normas e padrões ajuda muito. Além de facilitar o trabalho, sem criar armaduras, colabora também para criar a sua imagem e da empresa. Vale para tudo: padrões de assinatura dos e-mails da equipe, determinação da postura dos funcionários, normas de escrita etc. É um processo, não termina nunca.

O
Ouvido - Utilize essa parte do seu corpo que, não por acaso, fica próximo ao cérebro. Aprenda que ouvir é mais importante, muitas vezes, do que falar. Dê uma pausa no seu discurso inteligente na frente do cliente para saber o que ele deseja, o que o jornalista busca, o que os outros esperam de você. Ouvir é uma arte.

P
Planejamento - Para apresentar um plano de comunicação é preciso conhecer a fundo o cliente. Muita gente pensa que o assessor vai tirar o coelho da cartola e apresentar a solução ideal após um briefing de meia hora. A comunicação precisa estar alinhada com o planejamento estratégico da empresa, com definições claras de metas, objetivos e visão de longo prazo.

Q
Q. I. (Quem indica) - Se quiser alcançar sucesso profissional - como empresário ou funcionário - recomendo começar a circular por aí para criar um excelente network. Vá a eventos diversos, faça cursos na área ou fora dela, conheça e reveja pessoas no mundo físico e virtual. Muito difícil conquistar um cliente apenas batendo na sua porta. O que funciona mesmo é o Q.I., a indicação de outra pessoa. Nosso maior avalista é aquele que fala bem da gente.

R
Release - Dizem que vai acabar e se tornará um instrumento para poucas ocasiões. Por enquanto ainda é bastante utilizado. Se for para escrever superficialidades, melhor não enviar. O duro é fazer o cliente entender isso. Mas se ele lhe contratou é porque você é o especialista no assunto. Bata o pé até gastar a sola. Relevância também começa com R e poderia estar nesta lista.



* Lucia Faria é jornalista, pós-graduada na Universidade de São Paulo (USP) em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas. Com mais de 20 anos de experiência no mercado, comanda desde 2002 sua própria agência, a Lucia Faria Inteligência em Comunicação.

Texto publicado no Portal Imprensa, em 24/09/2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Como tornar sua empresa referência em sua área de atuação?

Meriellin Albuquerque*

O volume de informação despejado nos consumidores rotineiramente tem se tornado um entrave na busca pela consolidação de marcas e empresas. São redes sociais, celulares, e-mails, site, blogs, jornais, revistas, televisão, rádio, mídias indoor, entre vários outros meios que não nos deixam desligar. Mas, como despertar o interesse de leitores ou futuros consumidores? As palavras de ordem são relevância e criatividade em forma de conteúdo, independente do segmento de atuação.

Se fôssemos descrever em uma fórmula seria: inspiração, dedicação e exercício contínuo para identificar o diferente. Quais seriam algumas das possibilidades para comunicar a marca? Cada negócio tem sua estratégia e sempre é possível se destacar e, de repente, tornar-se referência. Mostrar os conhecimentos que sua empresa tem sobre a área em que atua, o contínuo aperfeiçoamento dos profissionais, novas tendências, cases, novas tecnologias incorporadas, produzir informação que acrescente à vida dos leitores são algumas dicas para se destacar dos concorrentes. E, acredite você ou não, muitos consumidores de informação estão interessados em saber e, o melhor, compartilhá-las.

E nessa hora de compartilhar informações sobre sua empresa, nada de egoísmo. As pessoas identificam valores em empresas que não vendem apenas um remédio, por exemplo, mas que oferecem saúde e bem-estar ou, então, uma escola ou universidade que apresente mais que seu conteúdo de ensino, mas que possibilite o crescimento intelectual. Os leitores reconhecem quando recebem informações relevantes e, com certeza, a compartilharão também seja em uma mesa de bar, por e-mail ou por uma rede social. É só pensar: “Você já passou algum anúncio para um amigo?” Com certeza, esta prática não é comum, mas, agora, notícias, pesquisas e artigos são diariamente repassados. O mesmo acontece com várias pessoas que dividem informações.

A necessidade de se comunicar na área empresarial se tornou essencial às empresas que buscam construir uma marca com base sólida e que desejam realizar contínuas conquistas. Uma prova disso vem do Anuário Brasileiro das Agências de Comunicação – 2009/2010, lançado recentemente pela Mega Brasil, que apresenta em 2009 um crescimento estimado em 19,5% das empresas deste setor, enquanto o faturamento para este ano vai além dos R$ 1,2 bilhão.

Seja para fixar a marca, ou, mesmo, para dar mais visibilidade a algum evento ou ação da empresa é necessário criar estratégias de comunicação eficazes. Relevância e criatividade na comunicação implicam diretamente em credibilidade para a marca e a referência como inovadora. Com estes atributos, conquista-se mais mídia espontânea e mais pontos de contato com apelos interessantes aos seus stakeholders.

O conteúdo deve gerar sempre algum atributo com o qual queira vincular a sua marca e, como toda estratégia, a linguagem deverá ser condizente com seu público: quais os hábitos de leitura (quais meios e quando lê), o que se pretende comunicar, entre outros detalhes.

As ferramentas, que costumam contribuir e gerar relevância para marcas são muitas, entre elas: assessoria de imprensa, desenvolvimento de revista customizada ou jornal da própria marca, redes sociais. São ações que trazem mais que anúncios ou promoções, informam e posicionam marcas e empresas de maneira diferenciada. É com este tom de responsabilidade e de desapego que empresas deverão se precaver e anteceder os fatos, caso queiram se fixar como referência de qualquer que seja o nicho explorado.

*Meriellin Albuquerque, jornalista, especialista em marketing e diretora de planejamento da Ato Z Comunicação, agência especializada em desenvolvimento de conteúdos, estratégias e assessoria de imprensa.

Artigo publicado no portal Promowiew, em 1º/08/2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O ABC da comunicação corporativa (parte 1)


Há muitos dicionários corporativos disponíveis por aí. Em geral, bons e instrutivos. Quem quiser leitura séria, vai achar nas melhores livrarias do País. Mas eu também queria criar o meu pequeno dicionário para falar dos bastidores da comunicação. Afinal, o making of de um filme publicitário algumas vezes é mais interessante do que a propaganda em si. Por isso, sempre me preocupo em demonstrar o que acontece no dia a dia do nosso trabalho. É assim no blogda minha agência, nos temas dos artigos aqui publicados e nas conversas cotidianas com outros profissionais do setor. Para quem quer entender um pouco mais o nosso trabalho, vou listar alguns pontos importantes do abecedário da comunicação.

A
Abacaxi - Essa é a fruta que você precisa aprender a descascar quando atua em comunicação corporativa. O assessor de comunicação é um intermediário entre a empresa e seus vários públicos. E, como tal, é muito comum ser chamado para apagar incêndios, quando deveria estar envolvido em todo o processo desde o início. Mas não conte com isso. Os abacaxis surgem de todo o lado, a qualquer momento, indiscriminadamente. Quanto mais ferramentas você tiver disponível, menos trabalhoso e mais saboroso ele será.

B
Burocracia - Difícil lidar com essa palavra, mas tem horas em que não há jeito. Um pouco de planilha não faz mal a ninguém, embora seja definitivamente chata. Tem coisa mais cansativa do que fazer relatórios? São processos burocráticos, mas importantes para prestar contas das atividades. Da próxima vez em que elaborar seu relatório mensal, pense que o cliente terá em mãos um documento de análise de todo seu esforço. E os resultados compõem o nosso melhor cartão de visitas.

C
Cliente - Um sujeito que lhe contratou cheio de esperanças. Depositou em você todas as expectativas possíveis, como se agora os problemas de comunicação dele estivessem resolvidos. Alguns não entendem seus limites, até onde o assessor conseguirá chegar dentro da empresa e junto aos jornalistas também. Faça o possível, logo de cara, para explicar direitinho. Seja bastante claro desde o começo para evitar desencontros futuros.

D
Derrapada - Quem nunca cometeu deslize jogue a primeira pedra (não, caro leitor Ahmadinejad, você não vale). O melhor nesses casos é assumir o erro e, eticamente, achar uma maneira de consertar o problema. Nada que uma conversa franca e honesta entre as partes não resolva. Fundamental é o respeito mútuo. Por mais técnicas e conhecimentos que o assessor possua, ele não é um ser supremo. Aliás, se achar que é, fuja dele.

E
E-mail - Excelente instrumento de comunicação, mas nada ainda substitui o contato pessoal. Estamos nos tornando virtuais demais, amparados por uma máquina 24 horas por dia. Ouvir a voz do cliente no telefone, trocar ideias durante um almoço, falar da vida e dos rumos do País são essenciais para quem quer estabelecer uma relação duradoura.

F
Follow-Up - Uma ingrata missão que todo mundo odeia, mas que tem de fazer assim mesmo. Significa que não adianta mandar e-mail ao jornalista com uma sugestão de pauta muito legal e exclusiva. Ele vai deletar a mensagem sem ler, é quase certo. Então, o jeito é pegar o telefone e ligar mesmo. No entanto, alguns jornalistas atualmente nem telefone atendem mais na redação, cansados de receber ligação de tantos assessores. Se ele não lê e-mail e não atende telefone, melhor procurar outro veículo para oferecer a pauta. Sinal de fumaça a gente ainda não sabe fazer.

G
Gente - Nosso trabalho consiste, basicamente, em ouvir pessoas: funcionários, jornalistas, comunidade, formadores de opinião, entre tantos outros públicos (agora também chamados de stakeholders em todo o território nacional). Os gestores de comunicação precisam estabelecer diálogos. E para isso é fundamental, em primeiro lugar, aprender a ouvir.

H
Holofote - Acho que foi Heródoto Barbeiro quem escreveu num livro que holofote perto demais queima. Se não for textualmente isso, é quase. Quem já travou relacionamento profissional com alguns assessores de celebridades e de políticos sabe que, muitos, se acham mais importantes que o rei. Fazem exigências mil, dizem que o cliente não quer isso ou aquilo, travam uma guerra de nervos com os jornalistas. Depois, a celebridade chega e deixa todo mundo encantado. Topa tudo, nunca diz não, atende a todas as demandas com sorriso e bom humor. Das duas, uma: ou ele contratou um cão de guarda para fazer o trabalho sujo e ele posar como bonzinho ou o assessor subiu no salto alto.

I
Informação - Matéria-prima de nosso trabalho. Quem trabalha dentro da empresa ainda consegue mais sucesso para arrancar informações dos gestores. O fornecedor externo, no entanto, costuma sofrer um pouco mais. Pior mesmo é quando o cliente passa apenas "meia verdade" aos assessores, deixando escondido na gaveta a real versão dos fatos. A saída é sempre a confiança mútua.

J
Job - Serviço temporário que deve custar o dobro do preço de um trabalho fixo e permanente. Isso porque demanda um esforço enorme, muitas vezes com ampliação da equipe, para alcançar resultado em curto prazo. Duro é fazer o cliente entender isso e desembolsar uma verba mais polpuda.

K
Know how - Bastante comum os diversos gestores de uma empresa darem pitacos no nosso trabalho. Afinal, todo mundo "entende" de comunicação, sabe o que é bom para a empresa, acha que basta pegar o telefone e convocar a imprensa para anunciar sua nova campanha publicitária. Para se impor frente ao cliente é preciso demonstrar segurança e conhecimento profundo.




Texto de Lucia Faria, publicado em 17/09/2010 no Portal Imprensa

terça-feira, 31 de agosto de 2010

ABC... Midia Comunicação ganha destaque no Adnews


Prêmio Colunistas tem cobertura via Twitter


Pela primeira vez na história do Prêmio Colunistas, a mais tradicional premiação da área de propaganda, realizada desde 1967, os trabalhos do júri foram divulgados, minuto a minuto, pelo twitter.

Os mais de 340 seguidores do @colunistas2010 puderam acompanhar os resultados postados com regularidade: os diplomas de ouro, prata e bronze conferidos pelos jurados e no final da premiação os Grand-Prix de agência (Gruponove-Pe) publicitário (Queiroz Filho-Pe), profissional (Ney Bandeira-Ba), veículo (Jornal do Commercio-Pe e Tv Bahia-Ba) e anunciante do ano (Insinuante-Ba). A estratégia e atualização do twitter foi da Abc...Mídia Comunicação de Salvador, especializada em comunicação empresarial.

O Prêmio Colunistas Norte e Nordeste , uma iniciativa da Associação Brasileira dos Colunistas de Propaganda e Marketing-Abracomp, foi realizado no sábado 28/08. Participaram 48 agências de propaganda com 540 trabalhos inscritos de televisão, Rádio, jornal, revista, mídia exterior e internet.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quando a empresa derrapa na falta de transparência

A mídia, os públicos, os clientes e os funcionários não costumam poupar as organizações que optam pela não transparência e, quando as crises pipocam, a represália é inevitável.

Essa é a situação pela qual vive a Gol, uma das empresas que integra o quase duopólio do transporte aéreo brasileiro e que se vê envolvida num tiroteio sem precedentes, em que os protagonistas armados são nada mais nada menos do que os seus próprios funcionários.

Denúncias de salários baixos, de não respeito às escalas e às horas regimentais de trabalho nas empresas áreas, de autoritarismo, de clima organizacional irrespirável e de incompetência da gestão da Gol pululam na imprensa que, como costuma acontecer nesses momentos, deita e rola sobre a imagem e a reputação de uma empresa importante.

Mas por que esses fatos lamentáveis e que tanto penalizam os chamados ativos intangíveis das empresas continuam se repetindo, com alguma freqüência, no mercado nacional e internacional? Pois é, tivemos o episódio da Toyota nos Estados Unidos, da Volks, com o banco do Fox, da Merck, com o Vioxx, e muitos outros , tantos que, se fossem citados, ocupariam todo o espaço deste artigo. Já tivemos o apagão e o acidente da TAM em Congonhas e agora esta absoluta falta de competência de gestão da crise da Gol. E pensar que, recentemente, ela andou proclamando a criação de uma área de comunicação corporativa!

Tudo acontece porque algumas culturas organizações não se deram conta ainda de que o mundo mudou, que é preciso andar rigorosamente na linha, que afrontas à ética, à transparência e ao profissionalismo são pagas com juros altíssimos.

Não adiantam comunicados de página inteira nos jornais ou declarações com o objetivo de mudar o foco da crise porque há milhares de testemunhas e olhos atentos às mazelas empresariais. Cada vez mais. E há redes sociais atuantes que fazem girar a roda com maior velocidade, imprimindo derrotas acachapantes às organizações que ousam insistir com a adoção de processos de gestão dinossaúricos e uma comunicação ineficaz.

O importante é que não apenas a Gol está mais uma vez aprendendo a lição (o seu maior executivo andou tempos atrás freqüentando as manchetes no noticiário policial), mas estão vestindo a carapuça todas as organizações que permanecem paradas no tempo, acreditando que é possível tapar o sol com a peneira, pressionar os funcionários descontentes para que fiquem de boca fechada, desrespeitar o consumidor e a legislação.

O cenário não está definitivamente favorável para empresas que pisam na bola e que colocam os interesses comerciais acima do interesse dos cidadãos. Mentir em público é postura de alto risco e a Gol, com a desculpa de problema com o software que organiza as escalas da tripulação, desmentido pelo fabricante, apenas fez atiçar os ânimos. A crise estava sendo mantida debaixo do tapete mas água fervendo em chaleira tapada (ou uma panela de pressão seria uma metáfora mais adequada?), constitui história que nunca acaba bem e foi o que ocorreu: houve uma explosão daquelas e a imagem e a reputação da empresa acabaram em cacos, distribuídos exemplarmente por jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, e degradadas rapidamente nos 140 toques de milhares de tweetes.

As empresas precisam, de uma vez por todas, acordar para a realidade que é dura para quem não tem olhos para enxergar: não há alternativa que não seja a transparência, a gestão democrática, o esforço para a manutenção de uma gestão de pessoas competente. As empresas que não cultivam o diálogo não podem esperar a benevolência dos stakeholders e as que se valem do assédio moral para pressionar os seus públicos internos não esperem contar com o apoio deles quando a crise explode.

Não sabemos como o tiroteio vai acabar, mesmo porque episódios lamentáveis, que respingam nas agências reguladoras (a ANAC novamente evidenciou sua incompetência, hein?), acabam sendo incorporadas ao horário político-eleitoral e especialmente caem na boca do povo e dos jornalistas. E aí continuam pipocando por muito tempo.

Certamente, a Gol está contribuindo com mais um caso emblemático de péssimo gerenciamento de crise ( é desmentida a todo momento), má gestão de pessoas e de comunicação , que, em empresas do mesmo tipo, não serão jamais profissionalizadas porque assumida como uma perspectiva não estratégica, a reboque de chefias autoritárias e que apostam (equivocadamente como vemos) no falseamento da verdade como saída para enfrentar problemas reais.

É desta forma, com má comunicação e gestão incompetente, que imagens e reputações acabam no fundo do poço. Um preço a pagar por organizações que voltam as costas para clientes e funcionários, talvez acreditando que eles tenham memória curta, e na impunidade dos órgãos de controle e fiscalização que têm sido tolerantes com quem agride os direitos dos cidadãos.

Se a Gol tem culpa no cartório (alguém ainda duvida?), que pague exemplarmente, assim como todas as empresas ou governos que tomam decisões erradas, se comunicam precariamente e, arrogantemente, se julgam acima de qualquer suspeita.

A Justiça poderá até ser complacente com organizações com esse perfil, mas felizmente a opinião pública e a mídia cumprirão o seu papel.

Um Gol contra formidável. Poucas vezes se viu uma imagem e uma reputação derraparem tão sem controle. Definitivamente, a Gol não anda voando em céu de brigadeiro. Quando a transparência é deixada de lado, só há uma constatação possível: a turbulência é inevitável. Bem feito.

Em tempo: nossa solidariedade aos funcionários da Gol que têm, na retaguarda ou na linha de frente, sofrido com os atrasos e cancelamentos de vôos, com o número de horas trabalhadas em excesso (a imprensa e o sindicato garantem isso ou não é verdade?) e a revolta de passageiros estressados (com razão). Há sempre alternativas melhores no mercado, não é verdade? Ou as empresas aéreas são todas iguais?



* Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor da UMESP e da USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa. Editor de 4 sites temáticos e de 4 revistas digitais de comunicação.

Texto publicado no Portal Imprensa

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A comunicação e as relações públicas pelo comportamento

O etos da comunicação e das relações públicas é produzido nas crises empresariais e institucionais. Um parto que necessariamente não revela de imediato para a sociedade e interessados o que empresários e políticos pensam, fazem e pretendem diante de acidentes ambientais, vazamentos de documentos, problemas com produtos, entre outras situações noticiadas pelas mídias tradicionais ou sociais. Na maioria das vezes, ficamos sabendo quem eles são muito tempo depois. Empresas e governos que não transformam erros em propaganda positiva destroem ações de comunicação e transformam relações públicas em relações não-públicas devem ser louvadas.


Como comunicação e relações públicas ainda são comandadas por pessoas, falamos também no etos dos profissionais, produzido no calor dos fatos controversos, de crise, momentos em se escolhe entre as éticas da comunidade e as dos poderes. É o mesmo dilema narrado na tragédia Antígona, de Sófocles, cujo personagem retrata o amor, a compaixão, a lealdade, a amizade, a humanidade como elementos mais fortes do que as leis do Estado. No drama, Antígona enterra o irmão, Polinice, apesar de a lei impedir esse ritual sagrado para quem tivessem contestado as leis da cidade de Tebas. E quantas vezes nos deparamos com situações em que as leis da empresa e do estado são antagônicas ao sagrado, às boas tradições e a cidadania? Existem sábios de relações públicas e comunicação que vivem dentro de teorias e conceitos, são incapazes de se posicionar sobre os temas e os problemas de nosso tempo, de nosso país, de sua gente e de suas ruas. O Brasil está fora de suas disciplinas.


Os maus exemplos


Fonte de maus exemplos são os estudos de caso que focalizam a comunicação que se dá a revelia do controle que as centrais de relações não-públicas tentam impingir, como o caso ainda a ser estudado da British Petroleum (BP), que amargou um prejuízo trimestral de US$ 17 bilhões em razão do vazamento de petróleo no Golfo do México e demitiu Tony Hayward, presidente da petrolífera inglesa, tido como o grande responsável pelo maior desastre ecológico acontecido nos Estados Unidos. O seu descomprometimento com a gerência do problema ficou patente com uma frase não-administrada pelos manuais de comunicação de crise: “Quero a minha vida de volta (I want my life back)”, expressão da sua insensibilidade com a dimensão do problema. Ou ainda, o vazamento de 97.731 documentos secretos da guerra do Afeganistão, produzidos entre 2004 e 2009, que revelou crimes de guerra contra inocentes, crianças e mulheres, além de estratégias e ações mal-sucedidas. A atuação do jornalismo investigativo do site Wikileaks, aliada à divulgação conjunta no Guardian, New York Times e Der Spiegel aniquilou as ações de propaganda e relações não-públicas, que manipularam a realidade de uma guerra cada dia mais antipática para a opinião pública norte-americana e ocidental. Em meio aos questionamentos de toda a mídia, o relações-públicas da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou o etos governamental, que desrespeita a comunicação e as relações públicas democráticas. Sua frase, que entrou para a coleção de retóricas que sustentou inúmeras ditaduras na América Latina e a deposição de governos eleitos democraticamente como o de Salvador Allende, no Chile, foi a que afirmou “não existir nada nos documentos que já não tenha sido debatido pela sociedade”.

No Brasil, em época de eleição, é bom relembrar as tiradas de políticos, ficha limpa ou não, indiferentes às crises ocorridas no oceano, na terra e no ar, aqui e além mar. Não se brinca impunemente com passageiros estressados em aeroportos, com direitos humanos, com a memória de famílias de presos políticos.

Artigo de Paulo Nassar, publicado no Portal Aberje